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Memórias dos Pupilos

Aqui vou registar as lembranças, boas e más, dos meus tempos de aluno dos Pupilos do Exército para as partilhar com os leitores. São, também, para os actuais alunos se quiserem conhecer velhas experiências...

Memórias dos Pupilos

Aqui vou registar as lembranças, boas e más, dos meus tempos de aluno dos Pupilos do Exército para as partilhar com os leitores. São, também, para os actuais alunos se quiserem conhecer velhas experiências...

Conflito de gerações ou má educação?

Tenho, activos, três blogs; em todos eles raramente dou resposta aos comentários que por lá queiram deixar ficar. É uma questão de princípio: cada um é responsável pelas suas opiniões e ninguém deve violentar o seu semelhante tentando alterar-lhe pontos de vista. Se eu escrevo determinada coisa é porque a aceito e a julgo verdadeira — pelo menos para mim é-o —, logo, acho que os meus leitores podem manifestar discordância, mas nem devem querer convencer-me a alterar o meu ponto de vista nem vou eu replicar para que tal aconteça em relação a quem comigo não concorda. Cada qual tem direito à sua verdade. Podemos conviver, se soubermos respeitar as convicções alheias. Mas o respeito é uma das faces de algo assaz complexo que dá pelo nome de boa educação.

Se boa educação é cumprimentar os nossos conhecidos, ajudar os ceguinhos a atravessar a rua, levantarmo-nos para cumprimentar uma senhora, dar o lugar aos mais velhos, inválidos e às grávidas nos transportes públicos, é, também, respeitar a opinião alheia, mesmo que ela provenha de alguém da nossa idade, do nosso estatuto social e económico; o contrário, será má educação.

 

Quando criei este blog fi-lo com o intuito de nele lançar algumas recordações dos meus tempos dos Pupilos. Assim, podia dar largas à minha nostalgia e não carregar as páginas do Boletim com lembranças lamechas que aos mais jovens antigos alunos nada dizem.

Faço aqui um parênteses para recordar que, nos meus trinta anos, munia-me sempre de muita paciência e bastante prazer para escutar as lembranças de velhos Pilões. Com eles, pensava eu, sempre podia ir aprendendo mais alguma coisa. Fecho o parênteses.

Acontecimentos recentes, passados no fórum Pilão XXI, levaram-me a desistir da minha intenção inicial quanto ao destino deste blog. Agora, de hoje em diante, vai servir para recordar os meus tempos de internato, os meus velhos companheiros e mestres, os oficiais, sargentos e todo o pessoal civil que pelo Instituto passou entre 1954 e 1961, mas, com pena minha, vai, também, servir para zurzir com o látego da minha palavra todos quantos eu entender que merecem tal tratamento.

Tenho sessenta e cinco anos — quase sessenta e seis — uma carreira feita na Força Aérea como oficial e não me sujeito a provas de má educação saídas dos dedos (porque foram escritas no fórum) de alguns antigos alunos que têm idade para ser meus filhos! Esses, não são, de certeza, Pilões do mesmo Pilão onde eu e outros andámos!

Não se trata de conflito de gerações — na minha opinião, claro —, mas de muita arrogância, muito atrevimento e uma tremenda falta de educação (qualquer tipo de educação!).

Não me revejo na maioria dos antigos alunos entrados nos Pupilos nas décadas de 80 e 90 do século XX. Na maioria, repito, na maioria dos que até hoje se manifestaram em troca de ideias e opiniões no fórum. A sua arrogância é manifesta e está nos arquivos daquele areópago pilónico à disposição de quem a quiser consultar. Até por aqui, neste blog já foram deixados comentários que, acobertados pelo anonimato, mas identificáveis na sua referência temporal, demonstram bem o que afirmo.

Admito como possível, embora não esteja disso convicto, que possa existir um conflito de gerações; que os antigos alunos dos Pupilos com mais de sessenta anos actualmente, vejam o mundo e a vida de uma forma bem diferente da dos que rondam agora os quase quarenta. Para nós nada foi fácil e éramos já homens feitos quando o dinheiro da União Europeia caiu em catadupas sobre o país, gerando empregos e trabalhos até para os mais inaptos. Posso admitir que as facilidades criadas na década de 90 do passado século tenham influenciado fortemente todos os que estavam, então, a sair do Instituto; a nós apanhou-nos na fase final da vida activa... já não nos modificou o comportamento. Ora, se os caracteres de todos a quem aponto o dedo foram influenciados por tais anos de abundância ilusória, é porque a sua educação era frágil, fazendo-os descambar para uma arrogância que nós, os mais velhos, na idade deles não manifestávamos. Não manifestávamos porque nos haviam ensinado, no Pilão, um conjunto de regras e valores que, pelos vistos, se perderam. O que só demonstra que a degradação da tão apregoada “excelência” daquela Casa não é recente, muito pelo contrário

Há excepções àquilo que parece ser uma regra por mim definida! Claro que há! Tenho-as encontrado nos meus contactos pessoais. Excelentes pessoas, correctas e bem educadas. A essas não se aplicam as palavras duras que aqui deixo. Sinta-se quem se deve sentir; abstenha-se todo aquele a quem a carapuça não serve.

Não me alegra a situação que descrevi, mas sei viver perfeitamente bem com ela... Deixo que se torne transparente e assim não me incomoda a existência.

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