Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Memórias dos Pupilos

Aqui vou registar as lembranças, boas e más, dos meus tempos de aluno dos Pupilos do Exército para as partilhar com os leitores. São, também, para os actuais alunos se quiserem conhecer velhas experiências...

Memórias dos Pupilos

Aqui vou registar as lembranças, boas e más, dos meus tempos de aluno dos Pupilos do Exército para as partilhar com os leitores. São, também, para os actuais alunos se quiserem conhecer velhas experiências...

Uma exibição com valor

 

 
Confesso que não fui de propósito ao Centro Comercial Colombo para assistir hoje, domingo, 11 de Maio de 2008, à exibição dos Pupilos do Exército, mas como passei por lá, não me eximi a ver o espectáculo.
 
O centro comercial, na sua majestosa amplitude estava pejado de meninos fardados ou do Colégio Militar ou dos Pupilos do Exército. Curiosamente passou-me despercebida a presença das meninas de Odivelas.
Olhei-os, a todos, criticamente. Queria descobrir diferenças nas fardas e nos comportamentos. Vi de tudo; desde alunos do Colégio Militar bem fardados e garbosamente mostrando as suas botas altas de montar a cavalo até alguns com fardas mal talhadas, amarrotadas e dando nota de certo desleixo; vi o mesmo — com exclusão das botas altas — nos alunos dos Pupilos do Exército. Tanto uns como outros já não usam o debrum de plástico branco por dentro da gola das fardas — tal como trazíamos no meu tempo — o qual dava um ar mais composto ao fecho do colarinho. Ficam com um aspecto desmazelado.
 
Havia no ar uma atmosfera de festa.
Tive imensa sorte, porque quando cheguei à nave central ia começar a actuação dos Pupilos do Exército. Lá estavam presentes os ex-alunos do costume! Acenei a uns e a outros, tendo o Américo Ferreira evitado olhar-me. Paguei-lhe da mesma moeda!
Veio falar comigo o Manuel Andrade — o 298 de 1963 — que está a fazer uma obra de muitíssimo mérito, cuja valia ultrapassa de longe tudo o que se possa imaginar: uma recolha fotográfica dos cem anos do Instituto. É um trabalho como antigamente se dizia «de se lhe tirar o chapéu»… E eu, com muita humildade, tiro-lhe o meu, porque tudo o que não sou capaz de fazer obriga-me a sentir-me pequenino perante quem o faz! Só pelo que já conseguiu executar, o Manuel Andrade entrou, para mim, na galeria dos Grandes Pilões. Será que a Associação saberá honrá-lo como merece? A ver vamos!
 
A exibição começou com o grupo coral. Confesso que desde os meus tempos de criança que não tenho nem ouvido, nem voz, nem capacidade nenhuma para apreciar música e canto, mas, ouvir os alunos do «meu» Instituto cantar, até parece que me deu habilidades especiais. Era a emoção, está visto! Emoção que redobrou quando escutei os aplausos da assistência… E eles vinham do piso térreo, do primeiro e do segundo andar do enorme átrio central do majestoso edifício.
Depois, houve uma altura em que um só aluno cantou com uma excelente voz. A minha mulher, que estava ao meu lado e é dada a entender de canto, disse-me baixinho: — Magnífico! Os olhos marejaram-se-me de lágrimas.
 
Gostei de ver a apresentação da classe de luta, nas suas diferentes modalidades, embora fosse impossível deixar de associá-la às notícias de recontros pugilistas entre os alunos dos Pupilos e os de uma qualquer escola secundária da zona de Benfica. Com aquelas performances ai de quem se meter na frente dalguns dos nossos Pilões! Uma publicidade que aponta para uma Escola onde se desenvolve a agressividade física, talvez não seja a mais conveniente neste momento… Mas os programas já estavam feitos e as actividades destinadas!
 
Em mim, a emoção subiu ao rubro quando se cantou o hino da nossa Casa. A voz embargou-se-me. Não fui capaz de dizer mais do que o «Querer é poder, querer é poder». E disse-o baixinho, com uma lágrima teimosa a saltar-me dos olhos, porque, realmente, ao longo da minha vida, deixei que o nosso lema me entrasse na circulação sanguínea e seja ele quem me comanda os passos.
 
Não fiquei para ver o resto do festival. O que poderia ser melhor do que a exibição dos nossos continuadores?!
 
É verdade que os painéis onde se patenteavam as fotografias do Instituto eram os mais pobres dos três, mas a exibição dos alunos mostrou o equilíbrio entre o canto e a capacidade de lutar. Simbolicamente valeu por uma excelente explanação entre, por um lado, a doçura de sentimentos e a capacidade de expressá-los e, por outro, a mostra viril de expor publicamente a habilidade de vencer os mais duros desafios.
Depois disto, resta dizer aos alunos que é preciso estudar de modo a que os resultados académicos possam estar a um nível mais alto do que o habitual para serem reais e completos os equilíbrios da nossa «Casa tão bela e tão ridente».
Valeu a pena este domingo!

 

6 comentários

Comentar post