Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Memórias dos Pupilos

Aqui vou registar as lembranças, boas e más, dos meus tempos de aluno dos Pupilos do Exército para as partilhar com os leitores. São, também, para os actuais alunos se quiserem conhecer velhas experiências...

Memórias dos Pupilos

Aqui vou registar as lembranças, boas e más, dos meus tempos de aluno dos Pupilos do Exército para as partilhar com os leitores. São, também, para os actuais alunos se quiserem conhecer velhas experiências...

Uma polémica que não interessa

 

 
O Colégio Militar voltou a ser alvo de um periódico que dá pelo nome de 24 Horas o qual vive, essencialmente, de escândalos. Desta vez, apontam-se mais maus-tratos a uma criancinha que não conseguiu aguentar dois anos de internato. É uma questão polémica que não interessa alimentar, como mais abaixo se verá porquê.
Pessoalmente não acredito nas parangonas do jornal. Uma bofetada dada por um graduado ou um pontapé no traseiro não podem ser classificados com o epíteto de maus-tratos. A ter acontecido qualquer coisa deste género, esta criancinha só demonstra que foi mal-educada até ao momento presente, por não ter estaleca para se aguentar com tais mimos «oferecidos», provavelmente, na sequência de uma demonstração de insubordinação ou como resultado de resistência àquilo que em Sociologia se chama socialização.
 
É evidente que muitos de nós chorámos — não foi o meu caso — nos primeiros tempos de internato. Chorámos por dois motivos: saudades de uma vida que deixáramos de livre vontade ou mais ou menos obrigados; dificuldade de adaptação a um novo sistema onde não éramos o centro das atenções, mas mais um entre muitos mais. Há crianças que não aguentam o somatório destas duas forças. São fracos e incapazes de se superarem, provavelmente como fruto da educação que receberam, antes, em casa dos pais.
Pelo Pilão do meu tempo, passaram alguns, mas poucos.
 
Ora, o que está a acontecer ao Colégio Militar preocupa-me, porque indicia, em meu entender, uma campanha contra uma instituição tutelada pelo Exército, tal como o nosso Instituto. Se as barbas do Colégio estão a arder temos por obrigação ajudá-los e pôr as nossas de molho, porque, mais tarde ou mais cedo, vai, como dizem os Brasileiros, sobrar para nós.
 
Pupilos e Colégio Militar são duas Casas que têm os seus pergaminhos, as suas tradições as suas dignidades. Não são instituições iguais, mas o que as separa é muitíssimo menos do que tudo o que as une. A rivalidade que sempre existiu é nossa, só nossa e entre nós se resolve. Mas é, acima de tudo, uma rivalidade saudável, porque desafia o nosso espírito de emulação; superarmo-nos, em cada momento, para cumprirmos melhor a nossa finalidade, foi sempre assim que olhei para os Meninos da Luz e, tenho a certeza, é deste modo que eles olham para nós.
É evidente que ovelhas negras sempre as houveram quer nos Pupilos quer no Colégio… Ovelhas que nunca foram capazes de ultrapassar a fase da mera rivalidade primária e nunca perceberam que só, essencialmente, foram origens sociais distintas que nos separaram, mas que, por não vivermos num Estado aristocrático, todos somos, afinal, iguais no nascimento e com iguais oportunidades na Vida. E esta última afirmação é tão verdadeira que, ao longo dos quase cem anos de existência dos Pupilos, muitas vezes houve irmãos a frequentarem cada uma das instituições. Do meu tempo, recordo os Aguinchas e o Rui Campos; muito mais antigos, lembro os Taborda e Silva.
 
Que os meus leitores, antigos alunos dos Pupilos, possam meditar nas minhas palavras — não por serem minhas, mas por as julgar ditadas pelo bom senso — e fazer causa comum com o Colégio Militar para nos defendermos enquanto instituições tuteladas pelo Exército e Casas dignas e tradicionalmente honradas por muitos e muitos ex-alunos que souberam levantá-las à posição que hoje ocupam na sociedade portuguesa.
Pelo Colégio Militar, salve, salve, salve!

3 comentários

  • Sem imagem de perfil

    330 03.02.2008

    Disse noutro post e volto a dizer. Tapem o sol com a peneira que ficam ceguetas. Os graduados de ontem que fizeram com que os novos gostassem das instituições e apreendessem os valores não são os mesmos de hoje. Hoje os putos são mal educados, são fruto muitas vezes indesejado de casamentos acabados e são depositados no CM e no IMPE porque os montes de merda dos pais acham que os miúdos são matéria-prima que se deposita num sítio ao domingo à noite e só se volta a ver à sexta (que se lixe a quarta-feira para estar com eles, isso é uma perda de tempo), para depois andarem por aí na galderice. Só isto cria ressentimento nos rapazes, quanto mais ser "recebido" por um comité de cobardes que se aproveita do posto e tamanho para lixar os mais novos.
    Antigamente fugia-se para ir ao cinema, namoradas, jantar a casa, etc.. Hoje foge-se para ir à discoteca apanhar uma bebedeira e meter uns comprimidos.
    Se a sociedade não tem valores qualquer instituição sofre com isso. Há sempre um qualquer reflexo. Mesmo no CM e no IMPE. Ora, por vezes é de facto necessário ser mais duro do que o costume para incutir os valores da casa nos recém-chegados. Então nestes tempos que vivemos parece-me ser o caso. Mas infelizmente há sempre uns ressabiados e cobardes que se aproveitam da situação para abusar dos mais pequenos. E este é o caso.
    E muito triste fico por a minha antiga casa ser notícia num tablóide. Mas essa merda de Directores que o CM tem tido mais a merda de graduados que pelos vistos por lá grassa não merece outra coisa.
    Com a minha antiga segunda casa quase a fazer 205 anos deviam era ter vergonha na cara, filhos de uma grande puta, do mal que andam a fazer ao Colégio Militar, aos nossos símbolos e Código de Honra.
    Talvez quando chegarem à Universidade ou à Academia Militar (para aqui são cada vez menos) tenham uma surpresa desagradável, levarem com o mesmo xarope que davam aos putos. Um sabre nos tomates, um fio com uma ponta atada a certo órgão e a outra a um tijolo, tudo isto com uma venda nos olhos da vítima, um graduado cobarde, poderiam fazer maravilhas. Mas sinceramente eu não chegaria a tanto, não quero descer ao nível desses símios.


    Saudações a todos,


    ZACATRAZ
  • Sem imagem de perfil

    António José Trancoso 04.02.2008

    Caro 330/.../CM, do 161/52/IMPE
    O seu comentário conseguiu surpreender-me.
    A ideia que tenho do Colégio, reforçada pela convivência que tive com alguns dos seus ex-alunos (v.g . com o Gusmão Nogueira, cujo falecimento tanto me entristeceu) não se compagina com o teor da sua exaltada e dura análise.
    Será que a mudança, nestes últimos tempos, foi assim tão drástica?!
    Correndo o risco de de desactualização, creio que o acesso ao Colégio sempre se pautou por selectivos critérios socio-económicos muito apertados.
    Com tal substrato, seria lógico pressupor que, os reprováveis comportamentos que aponta, não encontrassem espaço para se manifestarem.
    Creia que não pretendo desmenti-lo, mas, tão só, interrogar-me se o seu grau de exigência não estará um tanto empolado!?
    Ao que julgo saber, as dificuldades de afirmação do PILÃO não são comparáveis às do COLÉGIO.
    E note que o seu "desabafo", na sua quase totalidade, bem poderia ser o meu relativamente ao IMPE e a um sector de uma fragilizada geração de ex-alunos, cujos valores originais foram transpostos para os da actual sociedade de consumo.
    Aos que não perderam o Norte, impõe-se um redobrado esforço de reflexão e de chamada de atenção.
    Para Bem das que foram as nossas segundas Casas. SALVÉ, e, permita-me,... ZACATRAZ.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.